Igreja da Senhora da Conceição – Porto
Concerto comemorativo do 26º Aniversário do Grande Órgão de Tubos da Igreja da Senhora da Conceição. O organista Daniel Ribeiro interpretará obras de Jean Françaix, Olivier Messiaen, Jehan Alain, Henri Mulet e apresentará ainda, em primeira audição absoluta, a obra “Turris Eburnea” de Eugénio Amorim.
“A expressão Turris Eburnea, em latim “Torre de Marfim”, transporta consigo um rico simbolismo com raízes profundas nas tradições judaico-cristãs e no imaginário cultural ocidental. O seu significado evoluiu ao longo dos tempos, assumindo novos contornos, tanto religiosos quanto filosóficos, literários e mesmo musicais
O primeiro registo conhecido da expressão Turris eburnea surge no Cântico dos Cânticos, um dos livros da Bíblia. Nesse poema, que celebra o amor entre dois amantes, o pescoço da amada é comparado a uma torre de marfim, evocando imagens de beleza, pureza e majestade. Essa metáfora exalta tanto a integridade moral quanto a graça física, associando a torre a uma beleza inatingível e sublime.
Na tradição cristã, a expressão Turris eburnea foi incorporada em epítetos da Virgem Maria na Ladainha de Nossa Senhora, no século XVI. Aí, Maria é exaltada como a “Torre de Marfim”, um símbolo de sua pureza imaculada e fortaleza espiritual.
Num uso moderno, a “torre de marfim” passou a simbolizar um lugar metafísico ou abstrato, onde pessoas, especialmente intelectuais, artistas e cientistas, se isolam das preocupações práticas e materiais do mundo. Esse espaço é visto como um refúgio de idealismo, onde indivíduos se afastam das pressões cotidianas para se dedicar à contemplação, à pesquisa ou à criação artística.
Esta obra, para mim, é o fruto da busca da beleza, indefinível e talvez inalcançável, assim como pela criação de um espaço livre — um refúgio contemplativo, distante das preocupações do mundo, onde prevalece a tendência para o silêncio.”
Eugénio Amorim
