Fernando C. Lapa nasceu em Vila Real em 1950. Fez os seus estudos musicais no Conservatório de Música do Porto, onde concluiu o Curso Superior de Composição, na classe do prof. Cândido Lima. Nas últimas 4 décadas, criou mais de 300 obras que abrangem quase todos os géneros musicais: concerto, repertório sinfónico e coral-sinfónico, ópera, música de câmara, obras para instrumento solo, música sacra e litúrgica, bandas sonoras para cinema e teatro.
Uma parte significativa da sua obra centra-se na cultura portuguesa contemporânea, da poesia às artes plásticas, sem esquecer a História ou a música tradicional, destacando-se: “Variações sobre o Coro da Primavera” de José Afonso, para piano; o ciclo de canções “Estuário”, sobre 10 poemas de J. M. Mendes, para soprano e piano; “da primeira liberdade”, obra para uma grande massa coral e grande orquestra, sobre poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen, na estreia da Sala Suggia da Casa da Música do Porto; “A lágrima e a estrela” (sobre conto de Mia Couto), para narração e ensemble instrumental; “No coração do Porto”, sobre poema de Vasco Graça Moura, para coro e orquestra, no centenário da Universidade do Porto; “um verso para lá do horizonte”, abertura sinfónica para orquestra, encomendada por Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura; “oito poemas breves de valter hugo mãe”, para soprano e ensemble, para o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa; “quatro versos de olhar suspenso”, para flauta e piano, reflexos das paisagens do Douro; “o luar da minha terra” (sobre excertos de Teixeira de Pascoaes), para coros e orquestra, para a Rota do Românico; musica para os “Autos das Barcas (do Inferno, do Purgatório e da Glória)” de Gil Vicente, encomendada pelo CCB e estreada nos Dias da Música em Lisboa, em 2018; “Mátria”, uma ópera em dois actos, com libreto de Eduarda Freitas, a partir de Miguel Torga, para um elenco de sete cantores, coro de câmara e ensemble alargado, com uma duração de cerca de 90 minutos, estreada em Dezembro de 2021; “Folias e polifonias” para coros e orquestra, para a OPGB, estreada na Casa da Música no Porto; “de outras estrelas” (sobre poemas de Marco Lucchesi) para o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa; “Traços de esplendor”, para orquestra, na comemoração dos 20 anos do Douro Património Mundial; entre muitas outras obras.
Tem mantido uma actividade regular nos domínios da música sacra e litúrgica, podendo destacar-se algumas obras: “Tenebrae factae sunt” e “Puer natus est nobis”, para coro de câmara e órgão, “Variações sobre o nome da Paz, Gaudeamus” ou “Variações sobre melodia tradicional portuguesa de Natal”, para órgão; diversas obras sobre o texto do “Magnificat” (para coro “a capella”, para coro de câmara e órgão, ou para coro de pequenos cantores e órgão positivo), vários motetes, para coro e órgão, entre os quais “Regina coeli laetare” ou “Ave Regina coelorum”. Tem mantido ao longo dos anos colaboração continuada com algumas publicações de música sacra e litúrgica, nomeadamente o Boletim de Música Litúrgica da Diocese do Porto, as revistas Libellus usualis e Salicus, ou o labOratório, colaborando mais esporadicamente com o SNL ou com o Serviço Nacional de Música Sacra, e mais recentemente com as JMJ.
Como resultado desta produção, muitas das suas obras têm sido interpretadas em centenas de concertos, tanto em Portugal como no estrangeiro (Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Bélgica, Áustria, Polónia, Hungria, Noruega, e muitos outros países nos cinco continentes). Diversas obras foram gravadas e transmitidas pela RTP, RDP Antena 2 e outras estações de rádio e televisão nacionais e estrangeiras. Tem partituras editadas em Portugal, em França e na Alemanha e conta com muitas dezenas de obras gravadas em CD.
Leccionou em diversas escolas, como professor de ATC, de Composição, Orquestração e outras disciplinas, nomeadamente no Conservatório de Música do Porto e na Escola Superior de Música e das Artes e do Espetáculo do Porto. Ligado desde há muito ao mundo da música coral, dirigiu diversos coros em centenas de concertos, nomeadamente o Coro Académico da Universidade do Minho, ao qual esteve ligado durante 16 anos.
Tem participado em inúmeros colóquios e seminários, fazendo palestras em diversas instituições, sendo convidado com regularidade para integrar o júri de diversos prémios e concursos, muitas vezes na qualidade de presidente. Foi colaborador permanente do jornal diário Público, como crítico musical, desde 1994 até 2008. Tem textos publicados em diversos livros, revistas e jornais.
